Em Busca da Intimidade Perdida - Trailer

Meu DVD de mensagem!

Meu DVD de mensagem!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

ALGUMA COISA ESTÁ MUITO ERRADA



Em uma noite tempestuosa de outubro, numa igreja nos arredores de Mineápolis, centenas de cristãos se reuniram para um seminário de três dias. Comecei com uma apresentação de uma hora sobre o evangelho da graça e a realidade da salvação. Usando a Escritura, histórias, simbolismo e experiência pessoal, enfoquei a completa suficiência da obra redentora de Jesus Cristo no Calvário. O culto terminou com um cântico e uma oração. Deixando a igreja por uma porta lateral, o pastor e seu auxiliar espumavam de raiva.

— Humph, aquele cabeça-oca não disse nada sobre o que temos de fazer para ganhar a salvação! — disse o pastor.

— Alguma coisa está muito errada — disse o auxiliar em tom de concordância.
Dobrando-se aos poderes deste mundo, a mente deformou o evangelho da graça em cativeiro religioso e distorceu a imagem de Deus à forma de um guarda-livros eterno e cabeça-dura. A comunidade cristã lembra uma bolsa de obras de Wall Street, na qual a elite é honrada e os comuns ignorados. O amor é reprimido, a liberdade acorrentada e o cinto de segurança da justiça-própria devidamente apertado. A igreja institucional tornou-se alguém que inflige feridas nos que curam, em vez de ser alguém que cura os feridos.

Dito sem rodeios: a igreja evangélica dos nossos dias aceita a graça na teoria, mas nega-a na prática. Di2emos acreditar que a estrutura mais fundamental da realidade é a graça, não as obras — mas nossa vida refuta a nossa fé. De modo geral o evangelho da graça não é proclamado, nem compreendido, nem vivido. Um número grande demais de cristãos vive na casa do temor e não na casa do amor.

Nossa cultura tornou a palavra graça impossível de compreender. Repercutimos frases de efeito como: "Nesta vida nada é de graça". "Cada um acaba ganhando o que merece". "Quer dinheiro? Vá trabalhar". "Quer amor? Faça por merecer". "Quer misericórdia? Mostre que é digno dela". "Faça aos outros antes que lhe façam".

"Observe as filas nos órgãos assistenciais, os mendigos preguiçosos nas ruas, a merenda grátis nas escolas, os estudantes ricos com bolsas do governo: só os trapaceiros se dão bem".
"Sem dúvida, dê a cada um o que merece — e nem um centavo a mais".
Minha editora na Revell contou-me que ouviu certa vez um pastor dizendo a uma criança: "Deus ama os bons meninos". A medida que ouço sermões com ênfase definida no esforço pessoal — toma lá, dá cá — fico com a impressão que uma espiritualidade "faça-você-mesmo" é a nova onda americana.

Embora as Escrituras insistam que é de Deus a iniciativa na obra da salvação — que pela graça somos salvos, que é o Formidável Amante quem toma a iniciativa — freqüentemente nossa espiritualidade começa no eu, não em Deus. A responsabilidade pessoal substituiu a resposta pessoal. Falamos sobre adquirir a virtude como se ela fosse uma habilidade que pudesse ser desenvolvida, como uma bela caligrafia ou um bom gingado numa tacada de golfe.

Nas épocas de penitência, nosso foco é superar nossas fraquezas, livrarmo-nos de nossos entraves e alcançarmos a maturidade cristã. Transpiramos debaixo de diversos exercícios espirituais como se eles fossem concebidos para produzir um Mister Universo cristão.

Embora algum elogio nominal seja dirigido ao evangelho da graça, muitos cristãos vivem como se fossem apenas a sua disciplina pessoal e sua autonegação que deverão moldar o perfeito eu. A ênfase é no que eu estou fazendo cm vez de no que Deus está fazendo. Nesse processo curioso, Deus é um espectador velhinho e benigno que está ali para torcer quando compareço para minha meditação matinal. Transferimos a lenda de Horatio Alger sobre o homem que venceu pelos seus próprios esforços, o self-made man, para nosso relacionamento com Deus. Quando lemos no salmo 123: "Como os olhos dos servos estão fitos nas mãos dos seus senhores, e os olhos da serva, na mão de sua senhora", experimentamos uma vaga sensação de culpa existencial. Nossos olhos não estão fitos em Deus. No fundo somos pelagianos praticantes. Cremos que somos capazes de nos erguermos do chão puxando nossos próprios cadarços — que somos, de fato, capazes de fazê-lo sozinhos.

Mais cedo ou mais tarde somos confrontados com a dolorosa verdade da nossa inadequação e da nossa insuficiência. Nossa segurança é esmagada e nossos cadarços, cortados. Uma vez que o fervor passa, a fraqueza e a infidelidade aparecem. Descobrimos nossa incapacidade de acrescentar uma polegada que seja a nossa estatura espiritual. Começa então um longo inverno de descontentamento que, eventualmente, floresce em depressão, pessimismo e um desespero sutil: sutil porque permanece não-diagnosticado e não-percebido, e, portanto, não-confrontado.
Ela assume a forma de tédio e trabalho forçado. Somos esmagados pela normalidade da vida, pelas tarefas diárias executadas à exaustão.

Secretamente admitimos que o chamado de Jesus é exigente demais, que a entrega ao Espírito Santo está além do nosso alcance. Passamos a agir como todo mundo. A vida assume uma qualidade vazia e desprovida de contentamento. Começamos a lembrar o personagem principal na peça de Eugene O'Neill O Grande Deus Brown: "Por que tenho medo de dançar, eu que amo a música e o ritmo e a graça e a canção e o riso? Por que tenho medo de viver, eu que amo a vida e a beleza da carne e as cores vivas da terra e o céu e o mar? Por que tenho medo de amar, eu que amo o amor?".

Algo está muito errado.

Nosso afã de impressionar a Deus, nossa luta pelos méritos de estrelas douradas, nossa afobação por tentar consertar a nós mesmos ao mesmo tempo em que escondemos nossa mesquinharia e chafurdamos na culpa são repugnantes para Deus e uma negação aberta do evangelho da graça.
Nossa abordagem da vida cristã é tão absurda quanto o jovem que depois de receber a sua licença de encanador foi levado para ver as cataratas do Niágara. Ele estudou-as por um minuto e depois disse: "Acho que tenho como consertar isso".

A palavra graça, em si, tornou-se banal e desgastada pelo mau uso e pelo uso em excesso. Ela não mexe conosco da mesma forma que mexia com nossos ancestrais cristãos. Em alguns países europeus, certos oficiais eclesiásticos de alto escalão são ainda chamados de "Sua Graça".
Jornalistas esportivos falam da "graça fluente" de Michael Jordan, e já foi dito do empreendedor Donald Trump que ele "carece de graça". Surge um novo perfume com o rótulo "Graça", e um boletim de estudante é chamado de "desgraça". A palavra perdeu o seu poder criativo latente.

Fyodor Dostoievski capturou o choque e o escândalo do evangelho da graça quando escreveu: "No último julgamento Cristo nos dirá: 'Vinde, vós também! Vinde, bêbados! Vinde, vacilantes! Vinde, filhos do opróbrio!' E dir-nos-á: "Seres vis, vós que sois à imagem da besta e trazem a sua marca, vinde porém da mesma forma, vós também!' E os sábios e prudentes dirão: 'Senhor, por que os acolhes?' E ele dirá: 'Se os acolho, homens sábios, se os acolho, homens prudentes, é porque nenhum deles foi jamais julgado digno*. E ele estenderá os seus braços, e cairemos a seus pés, e choraremos e soluçaremos, e então compreenderemos tudo, compreenderemos o evangelho da graça! Senhor, venha o teu reino!".

Creio que a Reforma realmente começou no dia em que Martinho Lutero orou sobre o significado das palavras de Paulo em Romanos 1:17: "visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé". Como muitos cristãos dos nossos dias, Lutero se debatia noite adentro com a questão fundamental: de que forma o evangelho de Cristo podia ser realmente chamado de "Boa Nova" se Deus é um juiz justo que retribui aos bons e pune os perversos? Será que Jesus veio realmente revelar essa terrível mensagem? De que forma a revelação de Deus em Cristo Jesus podia ser acuradamente chamada de "Nova", já que o Antigo Testamento defendia o mesmo tema, ou de "Boa", com a ameaça de punição suspensa como uma nuvem escura sobre o vale da história?

Porém, como observa Jaroslav Pelikan: "Lutero repentinamente chegou à percepção de que a "justiça de Deus" da qual Paulo falava nessa passagem não era a justiça pela qual Deus era justo em si mesmo (que seria uma forma passiva de justiça), mas a justiça pela qual, por causa de Jesus Cristo, Deus tornou justos pecadores (isto é, justiça ativa) através do perdão dos pecados na justificação. Quando descobriu isso, Lutero afirmou que os próprios portões do Paraíso haviam-se aberto para ele.

Que verdade atordoante!

"Justificação pela graça mediante a fé" é a frase erudita dos teólogos para o que Chesterton chamou certa vez de "amor selvagem de Deus". Ele não é instável nem caprichoso; não conhece épocas de mudança. Deus tem um único posicionamento inflexível com relação a nós: ele nos ama. Ele é o único Deus jamais conhecido pelo homem que ama os pecadores. Falsos deuses — criados pelos homens — desprezam os pecadores, mas o Pai de Jesus ama a todos, não importa o que façam. Isso é naturalmente incrível demais para aceitar. No entanto, a afirmação central da Reforma permanece: não por qualquer mérito nosso, mas pela sua bondade, tivemos nosso relacionamento restaurado com Deus através da vida, da morte e da ressurreição do seu amado Filho. Essa é a boa nova, o evangelho da graça.

Com sua característica joie de vivre, Robert Capon coloca da seguinte forma: "A Reforma foi uma ocasião em que os homens ficaram cegos, embriagados por descobrir, no porão empoeirado do medievalismo tardio, uma adega repleta de graça envelhecida mil e quinhentos anos, com teor alcoólico 100% —garrafa após garrafa de pura Escritura destilada, um gole da qual bastava para convencer qualquer um de que Deus nos salva sem precisar de ajuda. A palavra do evangelho — depois de todos aqueles séculos de tentar elevar-se ao céu preocupando-se com a perfeição de seus cadarços — tornou-se repentinamente um anúncio direto de que os salvos já estavam em casa mesmo antes de começarem (...) A graça deve ser bebida pura: sem água, sem gelo, e seguramente sem água tônica; não se permite que nem bondade, nem maldade, nem as flores que desabrocham na primavera da superespiritualidade entrem no preparado".

Mateus 9:9-13 captura um adorável vislumbre do evangelho da graça:
Jesus saiu dali e, no caminho, viu um cobrador de impostos, chamado Mateus, sentado no lugar onde os impostos eram pagos. Jesus lhe disse: — Venha comigo. Mateus se levantou e foi com ele. Mais tarde, enquanto Jesus estava jantando na casa de Mateus, muitos cobradores de impostos e outras pessoas de má fama chegaram e sentaram-se à mesa com Jesus e os seus discípulos.
Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos: — Por que é que o mestre de voces come com os cobradores de impostos e com outras pessoas de má fama? Jesus ouviu a pergunta e respondeu: — Os que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. Vão e procurem entender o que quer dizer este trecho das Escrituras Sagradas: "Eu quero que as pessoas sejam bondosas e não que me ofereçam sacrificios de animais". Porque eu vim para chamar os pecadores e não os bons (NTLH).

Eis aqui uma revelação fulgurante como a estrela da manhã: Jesus veio para os pecadores, para aqueles tão marginalizados quanto cobradores de impostos e para os enredados em escolhas sórdidas e sonhos desfeitos. Ele vem para executivos de corporações, sem-teto, superastros, fazendeiros, prostitutas, viciados, fiscais do Imposto de Renda, vítimas da AIDS e até mesmo vendedores de carros usados. Jesus não apenas conversa com essa gente, mas janta com eles — plenamente consciente de que sua comunhão à mesa com pecadores fará erguer as sobrancelhas dos burocratas religiosos que ostentam seus paramentos e a insígnia da sua autoridade para justificar a sua condenação à verdade e sua rejeição ao evangelho da graça.

Essa passagem deveria ser lida, relida e memorizada. Toda geração cristã tenta minimizar o cegante fulgor do seu significado, porque o evangelho fica parecendo bom demais para ser verdade. Pensamos que a salvação pertence aos decentes e piedosos, àqueles que permanecem a uma distância segura dos becos da existência, cacarejando seus julgamentos sobre aqueles que a vida maculou. Em nome da graça, qual tem sido o veredicto da comunidade cristã sobre a vida maculada do falecido Rock Hudson? À revelação (apesar dos 4,5 milhões de dólares que ficaram para seu amante Mare Christian) de que ele chamou um sacerdote no seu leito de morte, confessou seus pecados e clamou a Deus por perdão?

Jesus, que perdoou os pecados do paralítico, reivindicando dessa forma autoridade divina, anuncia que convidou pecadores, e não os de justiça-própria, para sua mesa. O verbo grego usado aqui, kalein, tem o sentido de chamar um convidado honrado para jantar.

Jesus afirma, com efeito, que o Reino de seu Pai não é uma subdivisão para os justos nem para os que sentem possuir o segredo de Estado da salvação. O Reino não é um condomínio fechado elegante com regras esnobes a respeito de quem pode viver ali dentro. Não; ele é para um elenco mais numeroso de pessoas, mais rústico e menos exigente, que compreendem que são pecadores porque já experimentaram o efeito nauseante da luta moral.

São esses os pecadores-convidados chamados por Jesus para se aproximarem com ele ao redor da mesa de banquete. Essa história permanece perturbadora para aqueles que não compreendem que homens e mulheres que são verdadeiramente preenchidos com a luz são aqueles que fitaram profundamente as trevas da sua existência imperfeita. Talvez tenha sido depois de meditar sobre essa passagem que Morton Kelsey escreveu: "A Igreja não é um museu para santos, mas um hospital para pecadores".

A Boa Nova significa que podemos parar de mentir a nós mesmos. O doce som da graça admirável nos salva da necessidade do auto-engano. Ele nos impede de negar que, embora Cristo tenha sido vitorioso, a batalha contra a lascívia, a cobiça e o orgulho ainda ecoa dentro de nós. Na condição de pecador redimido, posso reconhecer com qual freqüência sou insensível, irritável, exasperado e rancoroso com os que me são mais próximos. Quando vou à igreja, posso deixar meu chapéu branco em casa e admitir que falhei. Deus não apenas me ama como eu sou, mas também me conhece como sou. Por causa disso não preciso aplicar maquiagem espiritual para fazer-me aceitável diante dele. Posso reconhecer a posse de minha miséria, impotência e carência.

Como escreveu C. S. Lewis em The four loves (Os quatro amores): "A graça reserva aceitação completa, pueril e satisfeita da nossa necessidade, uma alegria na dependência total. O homem bom sente pesar pelos pecados que fizeram com que sua necessidade aumentasse, mas não se sente inteiramente pesaroso pela nova necessidade que eles produziram".

Quando o evangelho da graça toma conta de nós, algo passa a estar muito certo. Vivemos na verdade e na realidade. Tornamo-nos honestos como o sacerdote de noventa e dois anos que era venerado por todos na cidade devido a sua santidade. Ele era também membro do Rotary: a cada reunião do clube ele estava presente, sempre no horário e sempre sentado no seu lugar favorito num canto do salão.

Um dia o sacerdote sumiu. Era como se tivesse desaparecido em pleno ar. As pessoas da cidadezinha procuraram em todo lugar, sem encontrar qualquer sinal dele. No mês seguinte, porém, no encontro do Rotary, ele estava ali sentado no seu cantinho usual.

— Padre! — todos gritaram. — Onde o senhor esteve?

— Acabei de cumprir uma sentença de trinta dias na prisão.

— Na prisão? — eles gritaram. — Padre, o senhor não seria capaz de ferir uma mosca. O que aconteceu?

— É uma longa história — disse o sacerdote, — mas, para resumir, eis o que aconteceu. Comprei um bilhete para ir à cidade. Eu estava na plataforma esperando o trem chegar quando chegou uma jovem muito atraente conduzida pelo braço por um policial. Ela olhou para mim, virou-se para o policial e disse: "Foi ele sim. Tenho certeza que foi ele". Bom, para dizer a verdade, fiquei tão lisonjeado que me declarei culpado.

Há um toque de vaidade nos mais santos dos homens e mulheres. Não há razão para negar. E eles sabem que a realidade morde, se não for respeitada.

Quando sou honesto, admito que sou um amontoado de paradoxos. Creio e duvido, tenho esperança e sinto-me desencorajado, amo e odeio, sinto-me mal quando me sinto bem, sinto-me culpado por não me sentir culpado. Sou confiante e desconfiado. Honesto e ainda assim insincero. Aristóteles diz que sou um animal racional; eu diria que sou um anjo com um incrível potencial para cerveja.

Viver pela graça significa reconhecer toda a história da minha vida, o lado bom e o ruim. Ao admitir o meu lado escuro, aprendo quem sou e o que a graça de Deus significa. Como colocou Thomas Merton: "Um santo não é alguém bom, mas alguém que experimenta a bondade de Deus".

O evangelho da graça nulifica a nossa adulação aos televangelistas, superastros carismáticos e heróis da igreja local. Ele oblitera a teoria de duas classes de cidadania que opera cm muitas igrejas americanas. Pois a graça proclama a assombrosa verdade de que tudo é de presente. Tudo de bom é nosso não por direito, mas meramente pela liberalidade de um Deus gracioso. Embora haja muito que podemos ter feito por merecer — nosso diploma e nosso salário, nossa casa e nosso jardim, uma garrafa de boa cerveja e uma noite de sono caprichada — tudo é possível apenas porque nos foi dado tanto: a própria vida, olhos para ver e mãos para tocar, mente para formar idéias e coração para bater com amor. A nós foram- nos dados Deus cm nossa alma e Cristo na nossa carne. Temos o poder de crer quando outros negam; de ter esperança quando outros desesperam; de amar quando outros ferem. Isso e muito mais é pura e simplesmente de presente; não é recompensa a nossa fidelidade, a nossa disposição generosa, a nossa vida heróica de oração. Até mesmo nossa fidelidade é um presente. "Se nos voltamos para Deus", disse Agostinho, "até mesmo isso é um presente de Deus". Minha consciência mais profunda a respeito de mim mesmo é de que sou profundamente amado por Jesus Cristo e não fiz nada para consegui-lo ou merecê-lo.

No meu ministério como evangelista errante, tenho louvado determinados santos e cristãos contemporâneos, falando de a que custo eles pelejaram para suplantar homens e mulheres de menor envergadura. Ó Deus, quanta loucura preguei nesses sermões! A Boa Nova do evangelho da graça grita em voz alta: somos todos mendigos, igualmente privilegiados, mas não-merecedores, às portas da misericórdia de Deus!

Além disso, como observa Henri Nouwen, a maior parte da obra de Deus no mundo talvez passe despercebida. Há uma série de pessoas que ficaram famosas e amplamente conhecidas pelos seus ministérios, mas grande parte da atividade salvífica de Deus na nossa história pode permanecer ainda completamente desconhecida. Este é um mistério difícil de apreender numa era que atribui tamanha importância à publicidade. Temos a tendência de pensar que quanto mais pessoas sabem e falam a respeito de alguma coisa, mais importante ela deve ser.

Em Lucas 18 um jovem rico vem até Jesus perguntando o que ele deve fazer para herdar a vida eterna. Ele quer ser colocado no centro das atenções. Não é coincidência que Lucas coloca a passagem de Jesus com as crianças nos versículos que imediatamente precedem a história do jovem aristocrata. As crianças contrastam com o homem rico simplesmente porque não há como discutir elas terem sido capazes de merecer o que quer que seja. O ponto central de Jesus é o seguinte: não há coisa alguma que qualquer um de nós possa fazer para herdar o Reino. Devemos simplesmente recebê-lo como criancinhas. E criancinhas não fizeram ainda coisa alguma. O mundo do Novo Testamento não tem uma visão sentimental a respeito de crianças e não nutre qualquer ilusão sobre alguma bondade inata nelas. Jesus não está sugerindo que o céu é um imenso playground. As crianças são nosso modelo porque não têm qualquer pretensão ao céu. Se estão mais próximas de Deus é porque são incompetentes, não porque são inocentes. Se recebem alguma coisa, tem de ser de presente.

Paulo escreve em Efésios: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie" (2:8,9).

Se tomássemos hoje uma amostra aleatória de mil cristãos americanos, a maioria definiria a fé como a crença na existência de Deus. Em tempos antigos não se exigia fé para crer que Deus existe quase todo mundo aceitava-o como ponto pacífico. Mais corretamente, a fé dizia respeito ao relacionamento da pessoa com Deus se a pessoa confiava em Deus. A diferença entre fé como "a crença em algo que pode ou não existir" e fé como "confiar em Deus" é tremenda. A primeira é questão da mente; a segunda, do coração. A primeira pode nos deixar inalterado; a segunda, intrinsecamente, traz mudança.

Essa é a fé descrita por Paul Tillich em sua famosa obra The shaking of the foundations: "A graça nos atinge quando estamos em grande dor e desassossego. Ela nos atinge quando andamos pelo vale sombrio da falta de significado e de uma vida vazia... Ela nos atinge quando, ano após ano, a perfeição há muito esperada não aparece, quando as velhas compulsões reinam dentro de nós da mesma forma que têm feito há décadas, quando o desespero destrói toda alegria e coragem.
Algumas vezes naquele momento uma onda de luz penetra nossas trevas, e é como se uma voz dissesse:

'Você é aceito. Você é aceito, aceito pelo que é maior do que você, o nome do qual você não conhece. Não pergunte pelo nome agora; talvez você descubra mais tarde. Não tente fazer coisa alguma agora; talvez mais tarde você faça bastante. Não busque nada, não realize nada, não planeje nada. Simplesmente aceite o fato de que você é aceito'. Se isso acontece conosco, experimentamos a graça".

E a Graça diz em altos brados: você não é só um velho desiludido que vai morrer logo, uma mulher de meia-idade presa num emprego e querendo desesperadamente sair, um jovem sentindo esfriar o fogo do ventre. Você pode ser inseguro, inadequado, confuso ou barrigudo. A morte, o pânico, a depressão e a desilusão podem estar perto. Mas você não é só isso. Você é aceito. Nunca confunda sua percepção de você mesmo com o mistério de que você é realmente aceito.

Paulo escreve: "Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo" (2Co 12:9). Quaisquer que sejam as nossas falhas, não precisamos baixar os olhos na presença de Jesus. Ao contrário de Quasímodo, o corcunda de Notre Dame, não precisamos esconder tudo o que é feio e repulsivo em nós. Jesus vem não para o superespiritual, mas para o vacilante e o enfraquecido que sabem que não têm nada a oferecer, e que não são orgulhosos demais para aceitar a esmola da graça admirável. Ao olharmos para cima ficamos surpreendidos por encontrar os olhos de Jesus abertos em assombro, profundos em compreensão e gentis em compaixão.

Algo está muito errado quando a igreja local rejeita a pessoa que Jesus aceita; quando uma sentença dura, censuradora e implacável é passada aos homossexuais; quando se proíbe um divorciado de participar da ceia; quando o batismo é negado ao filho de uma prostituta; quando se negam os sacramentos a um sacerdote readmitido no ministério depois de uma exclusão. Jesus vem para os profanos, até mesmo no domingo de manhã. A sua vinda dá um fim ao que é profano em nós e nos faz dignos. De outro modo estamos estabelecendo no coração da cristandade uma preocupação completamente profana e indigna com as obras.

Jesus sentava-se à mesa com qualquer um que queria estar presente, inclusive os que eram banidos das casas decentes. Compartilhando da refeição eles recebiam consideração em vez da esperada condenação. Um perdão misericordioso em vez de um apressado veredicto de culpa. Graça admirável em vez de desgraça universal. Eis aqui uma demonstração muito prática da lei da graça — uma nova chance na vida.

Qualquer igreja que não aceite que é formada por homens e mulheres pecaminosos, e que existe para eles, rejeita implicitamente o evangelho da graça. Como diz Hans Küng: "Ela não merece nem a misericórdia de Deus nem a confiança dos homens. A igreja deve estar constantemente consciente de que sua fé é fraca, seu conhecimento incompleto, sua profissão de fé hesitante, de que não há um único pecado ou falha do qual ela não seja de um modo ou de outro culpada. E embora seja verdade que a igreja deva sempre se dissociar do pecado, ela não pode jamais ostentar qualquer desculpa para manter qualquer pecador à distância. Se a igreja permanecer de modo farisaico distante dos fracassados, das pessoas irreligiosas e imorais, não pode entrar justificada no reino de Deus. Se, porém, permanecer constantemente conscientizada de sua culpa e de seu pecado, pode viver em jubilosa consciência do seu perdão.

A promessa dada a ela é que qualquer um que se humilhar será exaltado"

Conta a história que um pecador notório foi excluído e proibido de entrar na igreja.

Ele levou as suas dores a Deus:

— Eles não me deixam entrar, Senhor, porque sou um pecador.

— Do que é que você está reclamando? — Deus perguntou. — Eles também não me deixam entrar.

Com freqüência, mancando pelas portas da igreja no domingo de manhã, entra a graça de muletas — pecadores ainda incapazes de dispensar suas falsas escoras e de ficar em pé na liberdade dos filhos de Deus. Ainda assim, sua mera presença na igreja no domingo de manhã é uma vela bruxuleante que representa um desejo de manter contato com Deus. Apagar a vela é imergi-los num mundo de trevas espirituais.

Há um mito florescente na igreja de hoje que tem causado dano incalculável — a noção de que, uma vez convertido, convertido por inteiro. Em outras palavras, uma vez que aceito Jesus Cristo como meu Senhor e Salvador, segue-se um futuro inevitável e livre de pecado. O discipulado será uma história imaculada de sucesso; a vida será uma espiral nunca interrompida de ascensão rumo à santidade. Diga isso ao pobre Pedro, que depois de professar por três vezes seu amor por Jesus na praia, e de receber a plenitude do Espírito no Pentecostes, tinha ainda inveja do sucesso
apostólico de Paulo.

Com freqüência me perguntam; "Brennan, como é possível você ter se tornado um alcoólatra depois de ter sido salvo?" É possível porque eu me senti deprimido e amargurado pela solidão e pelo fracasso, porque me senti desencorajado, incerto, esmagado pela culpa e tirei meus olhos de Jesus. Porque meu encontro com Cristo não me transfigurou num anjo. Porque a justificação pela graça significa que meu relacionamento com Deus foi consertado, não que me tornei o equivalente a um paciente sedado em cima de uma mesa.

Desejamos uma espiritualidade permanentemente vigorosa, espiritualidade de caixa automática, e tentamos cultivar determinada virtude em determinado momento do tempo. Prudência em janeiro, humildade em fevereiro, bravura em março, temperança em abril. Provemos fichas de desempenho para avaliar ganhos e perdas. As perdas podem ser minimizadas se você contribuir para obras de caridade cm maio. Algumas vezes maio nunca chega. Para muitos cristãos, a vida é um longo janeiro.

De acordo com uma antiga lenda cristã, um santo certa vez ajoelhou-se e orou:

— Caríssimo Deus, tenho um único desejo na vida. Dá-me a graça de jamais ofender-te novamente.

Quando ouviu isso, Deus começou a rir cm voz alta.

— E o que todos pedem. Mas se eu concedesse essa graça a todos, me diga, quem restaria para eu perdoar?

Porque a salvação é pela graça através da fé, creio que entre a incontável multidão em pé diante do trono e do Cordeiro, trajando vestes brancas e trazendo folhas de palmeira nas mãos (Ap 7:9), verei uma prostituta do Kit'Kat Ranch em Carson City, Nevada, que com lágrimas nos olhos disse-me que não tinha sido capaz de encontrar outro emprego para sustentar seu filho de dois anos e meio. Verei a mulher que fez um aborto e é assombrada pela culpa e pelo remorso, mas que fez o melhor que podia diante de alternativas cruéis; o homem de negócios assediado pelas dívidas que vendeu sua integridade numa série de transações desesperadas; o clérigo inseguro viciado em aprovação, que nunca desafiou sua congregação do púlpito e ansiava por amor incondicional; o adolescente que foi molestado pelo próprio pai e agora vende seu corpo nas ruas e que, antes de dormir a cada noite depois de seu último "michê", sussurra o nome do Deus desconhecido a respeito do qual ouviu na Escola Dominical; aquela pessoa que por décadas
comeu e se lambuzou, quebrou cada lei de Deus e dos homens, chafurdou na lascívia e violentou a terra, e converteu-se no seu leito de morte.

"Mas como?", perguntamos. A voz então diz: "[Eles] lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro".

Ali estão eles. Ali estamos nós — a multidão que queria ser fiel, que foi por vezes derrotada, maculada pela vida e vencida pelas provações, trajando as roupas ensangüentadas pelas tribulações da vida, mas, diante de tudo isso, permaneceu apegada à fé.

Meus amigos, se isso não lhes parece boa nova, vocês nunca chegaram a compreender o evangelho da graça.

Fonte:

MANNING, Brennan. O Evangelho maltrapilho. Traduzido por Paulo Purim. São Paulo: Mundo Cristão, 2005. Capítulo 1.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Batizar para cear?




Recebi mais um e-mail com uma dúvida que poderá ser a sua.

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Olá, pr. Deivinson Bignon!

Eu tenho uma grande dúvida sobre a Ceia do Senhor. Como nova convertida, eu ouvia alguns irmãos mais antigos na fé me falarem que eu só poderia participar da Ceia se eu fosse batizada nas águas. Às vezes, visitava outras igrejas e o pastor, na hora da Ceia, sempre fazia o lembrete da necessidade do batismo como pré-requisito para cear. Até amigos meus falavam que eu precisava ser batizada.

Particularmente eu conversei com alguns membros da minha e igreja e eles disseram que isso não existe, pois a Bíblia não fala dessa necessidade e, hoje em dia, eu participo da Ceia normalmente sem ter ainda me batizado.

Entretanto, eu pergunto ao senhor: realmente é necessário que se batize primeiro para depois cear?

Abraços, Deus seja convosco!

Irmã Y.

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Olá, irmã Y!

Realmente, a Bíblia não traz nenhuma orientação sobre a necessidade de alguém se batizar para que possa celebrar a Ceia do Senhor. Entretanto, a exigência moderna do batismo para que se possa cear não é sem motivo.

Na época do Novo Testamento, as igrejas cristãs estavam iniciando a sua jornada evangelística, e cada cristão vivia dentro da comunidade – pois eles esperavam a volta de Jesus para aquela época: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações” (Atos 2.42; cf. 2.42-46). Portanto, não havia necessidade de se ter maior cuidado quanto aos participantes no cumprimento da ordenança da Ceia do Senhor, pois todos os que participavam da cerimônia eram os membros da igreja local que viviam todos os dias em perfeita comunhão (1 Coríntios 11.33).

Com o passar do tempo, ao constatarem que Jesus não iria voltar em sua geração e após vencerem as perseguições do império romano, os cristãos sentiram a necessidade de se organizar melhor. Daí a igreja se institucionalizou e, hoje, há a necessidade de algum controle sobre as pessoas que participam da Ceia do Senhor, para não banalizar uma ordenança sagrada ao disponibilizá-la para alguém que ainda não é cristão e, assim, desobedecendo a uma orientação direta de Jesus: “Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem” (Mateus 7.6).

Na Bíblia há apenas duas ordenanças dadas pelo Senhor: o Batismo e a Ceia do Senhor. Por isso, as igrejas evangélicas modernas que levam a sério a sua fé exigem que o novo convertido primeiramente cumpra a ordenança do batismo para que, depois, participe da Ceia do Senhor.

Paz e bênçãos...

A METAMORFOSE - Franz Kafka



Mais um clássico literário interessante.

“A Metamorfose” é uma das mais conhecidas obras de Franz Kafka. Foi escrita em 1912, quando o autor tinha 29 anos.

Na história, um homem acorda transformado em um inseto e precisa aprender a lidar com a nova situação.

Trata-se de uma revelação do desespero humano perante o absurdo e opressão do mundo.

Baixe e leia a obra completa em:
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=16641


Abaixo o livroclip da obra:


Mãe mata filho de 19 anos em ritual de magia negra em SP



Antes de cometer crime, ela chamou vizinhos para orar e pisoteou a Bíblia. PMs invadiram apartamento e viram rapaz com 15 facadas no colo da mãe.

Uma encarregada de setor de 43 anos foi presa em flagrante por matar com 15 facadas o filho, um estudante de 19 anos. O crime aconteceu na tarde de terça (18) no apartamento onde moravam, na Avenida Jaguaré, no bairro do Jaguaré, zona Oeste de São Paulo. Ela estava em crise psicótica e pertencia a comunidades religiosas não convencionais da Internet.

Segundo o boletim de ocorrência, vizinhos disseram que, desde o começo da tarde, a encarregada Maria Lúcia Rufino, 43, chamava todos para 'orar'.

Ela falava sobre demônios e assuntos satânicos. Segundo vizinhos, em determinado momento, ela pisoteou um exemplar da Bíblia Sagrada. Devido ao estado da mulher, eles chamaram uma ambulância do SAMU, que não compareceu no local.

Logo em seguida, os vizinhos tentaram acalmá-la. A mulher, aparentemente em transe, dizia que o filho, o estudante Leonardo Macedo Gadducci, 19, tinha que ser morto por um 'bem maior'. Assustados, eles chamaram a polícia. Quando os PMs chegaram no local a porta do apartamento estava trancada.

Os policiais tocaram a campainha, interfonaram e bateram na porta sem sucesso. Passados trinta minutos um grito veio do local. A porta do apartamento foi arrombada. A mulher estava com o filho no colo e esfaqueava a vítima. Ele foi golpeado, pelo menos 15 vezes no pescoço e tórax. Seis policiais foram necessários para segurar a encarregada.

O estudante foi socorrido para o Hospital Universitário da USP, onde não resistiu aos ferimentos e morreu. Outros dois filhos da mulher estavam escondidos em outro cômodo. Em diligências no local, a delegada plantonista localizou três computadores de Maria Lúcia.

Averiguando o material apreendido, a delegada descobriu que a encarregada fazia parte de sites religiosos não convencionais que adotam o sacrifício. Ela acessava as páginas da internet e mantinha contato com outras pessoas com os mesmos interesses pelo site de relacionamento 'Orkut'.

No apartamento, duas facas foram encontradas e apreendidas para perícia. A encarregada também foi hospitalizada no Pronto Socorro do Hospital da Lapa onde, até a elaboração do boletim de ocorrência, permanecia em observação e sedada para avaliação psiquiátrica. Ela está sob escolta policial e, assim que tiver alta, será presa pelo crime.

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL867630-5605,00.html

sábado, 15 de novembro de 2008

Maldição hereditária



Recebi este e-mail de um irmão com muitas perguntas. Publiquei na íntegra aqui porque esta dúvida também pode ser a sua.

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Bom dia Pastor Deivinson Bignon,

Há uma semana participei de um movimento de uma determinada igreja, chamado "ENCONTRO COM DEUS". Estou tentando com afinco me orientar espiritualmente e estou encontrando respostas para isso nas Escrituras Sagradas. Já lhe enviei um e-mail e você me respondeu que, se eu tivesse alguma dúvida, era para eu não me fazer de rogado. Pois bem, neste encontro percebi que os pastores usavam muito a psicologia, tais como controle emocional, choravam enquanto pregavam, gritavam muito e usavam “missionários” para observar se as pessoas realmente estavam com suas emoções abaladas, além de mostrarem imagens de acidentes horríveis, suicídios, demônios e incentivavam as pessoas a gritarem e levantarem as mãos para o alto para louvarem ao Senhor. Eles também gritavam que, se a gente não orasse, Satanás ia fazer isso e aquilo e o demônio não iria sair; enfim, eu nunca tinha participado de uma coisa tão maluca! Vi tantas pessoas caírem na minha frente que, no segundo dia, eu já nem me importava com o que via na minha frente, já não sentia mais nada do que senti logo no primeiro dia – arrepios e o coração palpitar mais forte. Nesse "ENCONTRO COM DEUS" havia vários níveis; em um, pedem para nos ajoelhar e orarmos sempre de olhos fechados, é quando missionários começam a jogar água nos “encontristas”, e o pastor pede para que os participantes peçam perdão pelos seus pecados.

Mas o motivo do meu e-mail é que eu estou lendo o seu trabalho e me deparei com a "MALDIÇÃO HEREDITÁRIA", o pastor presidente nos orientava que temos que nos livrar dessa maldição e, ao ler o seu trabalho, me deparei com este assunto abordado à luz da Bíblia. Então me pergunto: Será que estou recebendo uma boa orientação? Posso acreditar nesse pastor? Posso confiar nessa igreja? Devo me dirigir ao pastor e comentar? Eu realmente estou com estas dúvidas.

Muito obrigado, tenha um bom dia e um ótimo final de semana.

Irmão X

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Olá, irmão X!

Realmente, como escrevi em meu livro “Voltando para a Bíblia”, a maldição hereditária é uma falácia antiga que permanece até aos dias de hoje com outra roupagem. Transcreverei abaixo o trecho do livro apenas para reafirmar as bases bíblicas deste assunto ainda polêmico. Em Ezequiel 18.2-4 lemos: “Que tendes vós, vós que, acerca da terra de Israel, proferis este provérbio, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram? Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, jamais direis este provérbio em Israel. Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá”. Desde os tempos antigos já se acreditava nesta doutrina, mas o Senhor Deus deixa bastante claro que não é desta maneira que acontece. Hoje, os proponentes da “maldição hereditária” fizeram apenas uma pequena modificação.

Os pregadores da maldição afirmam que se alguém tem algum problema relacionado com o alcoolismo, pornografia, depressão, adultério, nervosismo, divórcio, diabete, câncer e muitos outros, é porque algum antepassado viveu aquela situação ou praticou aquele pecado e transmitiu tal pecado ou maldição a um descendente. A pessoa deve então orar a Deus a fim de que lhe seja revelado qual é a geração no passado que o está afetando. Uma vez que saiba qual, pede-se perdão por aquele antepassado ou pela geração revelada e o problema estará resolvido, isto é, estará desfeita a maldição.

Devido a esses exageros, alguns estudiosos, como Paulo Romeiro, parecem não ter uma visão otimista do futuro doutrinário da igreja evangélica brasileira:
"Do jeito que as coisas estão caminhando, daqui a pouco vamos ter conferências para alguém receber a unção da pasta de figo (2 Reis 20.7), a unção da saliva ou do lodo (João 9.6), a unção da sombra de Pedro (Atos 5.15) e muitas outras".

Sobre o encontro que você teve, não há como eu referendar as práticas deste ministério, uma vez que, como escrevi no livro, não vejo base bíblica para tais práticas de quebra de maldição hereditária. Responderei agora às suas perguntas práticas.

1) Será que estou recebendo uma boa orientação?
R: No que se refere à doutrina da maldição hereditária, com certeza não está sendo bem orientado. Sobre outras doutrinas da prática cristã eu não tenho como lhe dar uma resposta, pois não sei como este grupo que você está freqüentando se posiciona sobre elas.

2) Posso acreditar nesse pastor? Posso confiar nessa igreja?
R: Pelo modo como esse evento que você me descreveu foi conduzido, para mim está bem claro que o pastor não segue uma “liturgia” comum aos grupos evangélicos tradicionais, ou mesmo aos grupos pentecostais históricos. Não sei qual é esta denominação ou comunidade, mas está claro para mim que se trata de uma comunidade neopentecostal. Como toda comunidade neopentecostal independente, o pastor local é livre para conduzir e doutrinar a igreja do modo como achar mais conveniente, geralmente sem prestar obediência a nenhuma instância superior. Tanta liberdade facilita bastante os desvios doutrinários. Não conheço o seu pastor, portanto não posso ajudá-lo no que se refere a esta pergunta. Apenas posso aconselhar para que você ore e receba direção certa do Senhor sobre se deve ou não permanecer neste ministério.

3) Devo me dirigir ao pastor e comentar?
R: Caso o pastor seja uma pessoa aberta ao diálogo, e você tenha liberdade para comentar assuntos como esses com ele; sim, o ideal é que realmente comente. Apenas fique atento, pois ele contra-argumentará com você sobre a maldição hereditária. Caso ele queira contra-argumentar, só aceite o que ele disser depois de fazer uma análise madura das bases bíblicas que ele usar – “Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim” (Atos 17.11). Neste caso, se você quiser, poderei ajudá-lo respondendo às contra-argumentações dele de acordo com as minhas pesquisas bíblicas. Só quero deixar claro que o meu objetivo não é trazer divisão à igreja ou mesmo assediá-lo para que abandone a sua comunidade atual. A minha única motivação ao responder o seu e-mail é prestar esclarecimentos bíblicos, como me foi solicitado – “Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos” (Judas 3).

Paz e bênçãos...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Um milagre recente no Egito



Um muçulmano egípcio matou sua esposa porque ela estava lendo a Bíblia e então a enterrou com seu bebê nascido há poucos dias e uma filha de 8 anos de idade.

As crianças foram enterradas vivas! Ele então disse à polícia que um tio havia matado as crianças. Quinze dias mais tarde, outra pessoa da família morreu. Quando foram enterra-la, encontraram as duas crianças sob a areia - E VIVAS!

O país ficou em choque e o homem será executado. Perguntaram à menina de 8 anos como ela havia conseguido sobreviver por tanto tempo e ela disse: 'Um homem que usava roupas brilhantes e com feridas que sangravam em suas mãos, vinha todos os dias para nos alimentar.

Ele sempre acordava minha mãe para dar de mamar à minha irmã'.

Ela foi entrevistada no Egito numa Tv nacional por uma mulher jornalista que tinha o rosto coberto.

Ela disse na Tv pública, 'Foi Jesus quem veio cuidar de nós, porque ninguém mais faz coisas como essas!'

Os muçulmanos acreditam que Isa (Jesus) aparecerá para fazer coisas desse tipo, mas as feridas em Suas mãos dão provas de que Ele realmente foi crucificado e que Ele está vivo!

Mas também ficou claro que a criança não seria capaz de inventar essa história e não seria possível que essas crianças vivessem sem um milagre verdadeiro.

Os líderes muçulmanos terão muita dificuldade em lidar com essa situação e a popularidade do filme 'Paixão de Cristo' não os ajuda!

Como o Egito está bem no centro da mídia e da educação do Oriente Médio, você pode ter a certeza de que essa história vai se espalhar rapidamente.

Jesus Cristo ainda está deixando o mundo de pernas pro ar! O Senhor diz: "Abençoarei a pessoa que colocar sua confiança em mim'' (Jeremias 17).

Paz e bênçãos...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Crítica: livro "A Cabana"




O artigo que segue abaixo é de autoria do Dr. Michael Youssef, pastor da Igreja dos Apóstolos em Atlanta, Geórgia. É um alerta, para os menos avisados, da sutileza do engano de que a “quase verdade” é muito mais perigosa que a própria mentira.

Deus abençoe você com este alerta e esclarecimento!

Paz e bênçãos...

Deivinson Bignon


Lançando Luz sobre o livro “A Cabana”

Depois de ler a popular ficção, “A Cabana”, é necessário trazer à luz alguns de seus erros. O romance é sobre um homem cuja filha foi assassinada brutalmente. Três anos depois desta tragédia, ele recebe um convite para se encontrar com a santa trindade na mesma cabana onde sua filha foi morta.

Cada membro da trindade aparece em forma física. Deus, o Pai, aparece como uma maternal mulher afro-americana que está sempre na cozinha cozinhando. Jesus é um homem oriental de meia idade vestido com uma camisa de tecido colorido com um cinto de multiuso em sua cintura. O Espírito Santo é uma delicada mulher asiática que adora jardinagem.

O Espírito Santo descrito no romance declara que o grande mal do homem é sua independência de Deus, sendo que o próprio autor promova esta independência em seu livro, substituindo o Deus da Escritura com um deus com bem pouca semelhança com o Verdadeiro.

O autor de A Cabana também zomba da importância e singularidade da Bíblia. Ele torna a Bíblia no que quer que sua imaginação pessoal conceba a respeito de Deus.

Houve sempre um único plano para a nossa redenção. Um plano de Deus revelado nas páginas do Antigo Testamento, e completamente revelado através de Seu Filho Jesus Cristo. Por sua morte e ressurreição Jesus pagou a punição pelo pecado – trazendo libertação a todo aquele que coloca sua confiança nEle.

A pergunta a fazer a si mesmo é esta: Estou disposto a aceitar o dom da vida eterna de Deus como revelado na Escritura? Sua vida eterna dependerá de como responderá a esta pergunta.

Não seja levado por todo vento de doutrina, ou por suas emoções. Deixe que a sua mente seja o termostato que regula a temperatura de suas emoções. Não se iluda por descrições calorosas e não muito claras, quando toda a revelação de Deus pode ser encontrada em Seu livro – A Bíblia.



13 heresias encontradas no livro “A Cabana”

1. Deus o Pai, foi crucificado com Jesus.

Porque os olhos de Deus são puros e não pode considerar o pecado, a Bíblia diz que Deus não considerou Seu próprio Filho amado quando foi pregado na cruz, carregando nossos pecados. (Habacuque 1:13; Mateus 27:45).

2. Deus é limitado em Seu amor e não pode praticar a justiça.

A Bíblia declara que o amor de Deus e Sua justiça são os dois lados da mesma moeda – igualmente partes da personalidade e do caráter de Deus (Isaías 61:8; Oséias 2:19).

3. Na cruz, Deus perdoou toda a humanidade, esteja ela arrependida ou não.

Alguns escolheram um relacionamento com Ele, mas Ele perdoa a todos sem levar isso em conta. Jesus declarou que somente aqueles que vêm até Ele serão salvos (João 14:6)

4. Estruturas hierárquicas, sejam na igreja ou no governo, são perversas.

Nosso Deus é um Deus de ordem (Jó 25:2).

5. Deus nunca irá julgar as pessoas por seus pecados.

A Palavra de Deus repetidamente convida as pessoas para que fujam do julgamento de Deus crendo em Jesus Cristo Seu Filho (Romanos 2:16; II Timóteo 4:1-3).

6. Não há uma estrutura hierárquica na divindade, apenas um círculo de unidade.

A Bíblia diz que Jesus submeteu-se à vontade do Pai. Isso não significa que uma Pessoa seja maior ou melhor que a outra; apenas única. Jesus disse: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.” Jesus também disse: “eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade” (João 4:34; 6:44; 14:26; 15:26).

7. Deus se submete aos desejos e escolhas humanas.

Longe de Deus submeter-se a nós. Jesus disse, “Estreito é o caminho que nos conduz à vida eterna”. Nós é quem devemos nos submeter a Ele em todas as coisas

8. A justiça jamais ocorrerá por causa do amor

A bíblia ensina que quando o amor de Deus é rejeitado, e quando o oferecimento da salvação e do perdão é rejeitado, a justiça precisa ocorrer senão Deus terá enviado Jesus Cristo para morrer numa cruz para nada (Mateus 12:20; Romanos 3:25-26).

9. Não existe essa coisa de julgamento eterno ou tormento no inferno.

A própria descrição de Jesus a respeito do inferno é vivida...não pode ser negada (Lucas 12:5; 16:23).

10. Jesus está andando com todas as pessoas por seus diferentes caminhos a Deus, e não importa de que modo você chegue a Ele.

Jesus disse, “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6).

11. Jesus está constantemente sendo transformado juntamente conosco.

Jesus que habita no esplendor do céu, está sentado à mão direita de Deus, reinando e governando o universo. A Bíblia diz, “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente”. (Hebreus 13:8; Tiago 1:17).

12. Não há necessidade de fé ou reconciliação com Deus porque todos farão isso no céu.

Jesus disse, “todo aquele que nele crê tenha a vida eterna.” (João 3:15; 3:36; 5:24; 6:40).

13. A Bíblia não é a verdade, porque reduz Deus ao papel.

A Bíblia é o fôlego de Deus. Com certeza, muitos homens em cerca de 1600 anos que colocaram a caneta no papel (por assim dizer), cada um com diferentes profissões e diferentes contextos, mas o Espírito Santo inspirou a obra deles com as palavras de Deus. Estes homens escreveram a mesma mensagem de Gênesis ao Apocalipse .

Editora Contextualizar

Recados do céu para você!

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